As crianças e os cães

As crianças gostam de brincar. Os cães gostam de brincar. Quando se juntam é natural que as brincadeiras entre os dois sejam bastante animadas. No entanto, essas brincadeiras podem por vezes acabar mal. A maioria das crianças não tem a noção de quando devem parar de provocar ou brincar com alguém. Se esse alguém for o seu cão (por mais bonzinho e pachorrento que seja) ele poderá fartar-se e querer parar a brincadeira. Por vezes morder (mesmo sem intenção de magoar) é a única forma que ele conhece de parar a brincadeira.

A importância do treino
Para cães que vão conviver com crianças, é absolutamente essencial o treino de obediência e que se inicie a socialização do animal desde muito cedo. Lembre-se que o cão é um animal guiado pelo seu instinto e que se não for treinado, por vezes esse instinto leva a melhor sobre o animal. O seu cão precisa de ser ensinado a obedecer aos comandos do dono em qualquer circunstância. Da mesma forma que ele poderá ser salvo de um atropelamento se obedecer ao comando "Aqui", pode evitar algum acidente com uma criança se ele estiver treinado para largar ao seu comando. As crianças também têm de aprender. Da mesma forma que ensina aos seus filhos como se devem comportar com outras pessoas, deverá ensinar-lhes a respeitar e a conviver com os animais. Eles devem aprender o tipo de brincadeiras que podem e as que não podem ter com o seu cão, como tocar-lhe e como interpretar a sua linguagem corporal. Também deverão distinguir quando o cão está calmo e quando ele está perturbado. Quando tiverem idade suficiente, as crianças também deverão participar no processo de treino do animal e aprender os comandos adequados. O treino deverá ser aplicado tanto ao seu cão como ao seu filho.

Os genes não são tudo
É importante frisar que até as raças mais calmas e amigáveis podem por uma variedade de razões morder em alguém. Isto aplica-se a qualquer criatura que possua dentes (o homem incluído!). O inverso poderá ser dito das raças ditas perigosas: por pertencerem a este grupo não significa que vão obrigatoriamente morder em alguém. Não funciona assim. É impossível dizer concerteza que raça é que fará isso. As acções dos cães dependem de muitos, muitos factores para alem da sua herança genética. Assim, a melhor forma de evitar acidentes é acompanhar sempre as brincadeiras das crianças com os animais e nunca deixa-los sozinhos quando ainda são muito jovens.

Prontos para a brincadeira
Pesando todos os factores, existem raças que tradicionalmente estão mais predispostas a lidar com crianças. São mais tolerantes a comportamentos bruscos e lidam melhor com situações de stress, sem ficarem defensivos ou morderem. O Golden Retriever é uma dessas raças, graças à facilidade com que é treinado e baixo nível de agressividade. O Labrador Retriever e Collie também são raças "apropriadas" para lidar com crianças. Lembre-se sempre que numa situação em que o cão se sinta ameaçado e assustado, o perigo de morder a pessoa que está mais próximo é real. Acompanhe sempre as brincadeiras entre ambos.

Uma experiência para toda a vida
Para as crianças que cresçam com animais é muito provável que a experiência molde o seu comportamento futuro e o ensine a respeitar e a amar os amigos de quatro patas. Para evitar que o seu filho tenha uma experiência traumatizante (como uma dentada acidental) tenha sempre em conta os pontos abordados neste artigo. Com um pouco de cuidado e bom-senso da parte dos pais, as crianças e os animais apenas precisam de estarem juntas para se divertirem.

Como pensa o Cão

Os mal-entendidos entre homem e cão resultam das diferentes maneiras de pensar de cada um. O homem tem capacidade de abstrair os pensamentos, de pensar em termos de passado, presente e futuro e de analisar e tirar conclusões dos acontecimentos. Mas o cão pensa de uma forma muito mais simples e não distingue o que é bom e o que é mau.

As pessoas sabem que não devem matar, roubar, mentir etc. Sabem que devem ajudar um amigo em dificuldade e cuidar dos doentes. Mas o cão só pensa no imediato, visto não ter capacidade de abstração de pensamentos e, por isso, não tem uma visão moral do que faz. No fundo, ele gosta de fazer as coisas que ele gosta de fazer ou que ajudam a manter a sua posição no grupo. Só se consegue actuar sobre o comportamento canino, se se estimular o comportamento desejado à custa da oferta de recompensas.

Assim, o cão vai gostar de obedecer, porque este acto está ligado a uma sensação agradável. Em contrapartida, deve-se repreender um comportamento errado com um castigo que o cão consiga perceber. Louvar e recompensar o cão quando ele obedece e faz um acto que queremos e repreender o seu mau comportamento ou um acto que não aceitamos, parecem ser atitudes muito lógicas. Mas, de facto, é justamente nestes dois actos que as pessoas cometem os maiores erros na educação canina, confundindo as situações, admitindo que o cão consiga pensar como nós, esquecendo que o animal vê a sequência dos acontecimentos de uma forma mais imediata.

Vamos analisar o exemplo seguinte, para focar bem os erros mais comuns que se cometem: O educador chama o cão, que se encontra no fundo de um campo a cheirar qualquer coisa que lhe agrada. O cão ouve o chamamento, mas não mostra nenhum interesse em vir. Só depois de muita insistência é que o cão se aproxima, com uma expressão ligeiramente submissa. Mas o que acontece? O educador vai recompensar o cão por ter finalmente vindo? Geralmente acontece o contrário, o educador repreende o cão dizendo: Não tens vergonha, tive que chamar-te vezes sem fim até perceberes, mereces um castigo! Trata-se exactamente de uma situação em que agimos de acordo com uma lógica humana, tendo em mente um acto passado e castigando no momento presente, sem considerar que o cão se sente reprendido por ter vindo ... e não pelo tempo que demorou a vir! Neste caso o educador deve louvar expressivamente o cão, mesmo que este tenha levado muito tempo a obedecer. Deste modo, o cão consegue associar correctamente a recompensa ao acto de ter vindo até junto do dono.

Autor: Suzette Preiswerk da Mota Veiga

10 Responsabilidades básicas...

Quando decidir ter um cão como animal de companhia deve ter em atenção que existem algumas responsabilidades que devem ser cumpridas de modo a proporcionar ao animal uma boa condição de vida.

1. Escolha um veterinário que acompanhe o seu cão logo desde os primeiros dias.

2. Tenha em atenção se lhe aplicam todas as vacinas necessárias.

3. Combine com o médico veterinário o plano de vacinação adequado ao cachorro.

4. Crie hábitos de alimentação rígidos quer em quantidade e qualidade, quer em periodicidade diária das refeições.

5. Mantenha o seu cão em segurança, não permitindo que fuja para a rua onde existem perigo para os quais não se saberá defender e proteger.

6. Não deixe o seu cão à solta livremente em locais onde existam crianças a brincar. Uma vez que ambos não sabem medir os perigos da relação, facilmente surgem conflitos perigosos.

7. Mantenha o seu cão num clima de tranquilidade. Muita agitação provoca alto stress ao animal conduzindo a um comportamento desviante.

8. Proporcione ao seu cão um local que seja só dele onde possa dormir descansado longe da habitual e atarefada rotina diária do lar.

9. Mantenha o seu cão limpo e consulte periodicamente o médico veterinário.

10. Dedique alguns minutos diários para observar o seu cão. Tente descobrir se este tem algum comportamento ou aparência fora do normal. Através da observação atenta pode descobrir indícios de alguma doença ou maleita, podendo intervir antecipadamente.

Provavelmente, os cães mais populares do mundo

Retriever do Labrador, Pastor Alemão e raças potencialmente perigosas estão entre os cães mais apreciados. Devido à falta de estatísticas dos clubes de canicultura, ou da sua disponibilização, não é possível afirmar-se com certeza qual a raça mais popular do mundo, mas a partir de dados dos principais países do Ocidentes, podemos tirar algumas conclusões acerca das raças mais cativantes nesta parte do globo.

O Retriever do Labrador é uma das raças mais procuradas actualmente, seguido de perto pelo Pastor Alemão. O Labrador é o preferido em Portugal, Estados Unidos da América e Reino Unido, sendo o Pastor Alemão o eleito na Alemanha e uma das primeiras escolhas nos outros países, exceptuando no Reino Unido. O Yorkshire Terrier parece fazer bastante sucesso na Península Ibérica, mas os números nos outros países não chegam para colocar a raça nos lugares cimeiros. (Ver listas abaixo)

No início da década de 90 do século passado, o Labrador Retriever tomou de assalto o primeiro lugar da tabela Norte-americana. Desde então, tem vindo a conquistar adeptos por todo o mundo, sendo que o anúncio da Scottex foi um dos grandes responsáveis pela popularidade da raça no nosso país. Em Portugal, o Retriever do Labrador é o cão n.º 1 do ranking de 2007, com quase o dobro dos exemplares do segundo posicionado, o Pastor Alemão. O Pastor Alemão é um cão popular desde o início do século XX, tendo tido uma maior projecção internacional com as séries televisivas Rin Tin Tin e consequentes filmes de Hollywood. A sua fama de cão polícia agrada aos donos que procuram um cão versátil e de temperamento constante. Os cães de companhia, os apelidados “cães de colo”, tais como os Bichons, Caniches, entre outros, seriam considerados à partida bastante populares, mas os números revelam que poucos cães deste grupo figuram nos Top 5. O Yorkshire e o Schnauzer Miniatura são de facto os únicos presentes nestas listas. Curiosamente, tanto no Reino Unido, como na Alemanha, predominam raças originárias dos próprios países. No Reino Unido, prevalecem as raças inglesas, sendo o Pastor Alemão, em quarto lugar, a única raça estrangeira a conseguir entrar no Top 5. Na Alemanha, os intrusos são os Retrievers, Labrador e Golden, que ocupam respectivamente o 4º e 5º lugares, deixando mesmo assim os três primeiros lugares para as raças alemãs. Tanto em Portugal, como em Espanha e nos Estados Unidos da América, as raças dos próprios países estão arredadas da competição pelos lugares de topo.



Raças Portuguesas - No nosso país, as raças nacionais ficam fora do Top 5, sendo o Serra da Estrela a raça que mais se destaca no ranking português. Surgindo em sétimo lugar, esta raça nacional perdeu terreno em relação aos dados de 2006, onde se posicionava em sexto. Nos Top 5 analisados, as raças portuguesas não são as mais preferidas. A excepção à regra parece ser a popularidade do Cão de Água Português nos Estado Unidos da América. Apesar de surgir em 65º e não haver dados relativos ao números de exemplares, pode-se deduzir que devido à dimensão do país, esta posição é bastante lisonjeadora para a canicultura portuguesa. Apesar do elevado número de emigrantes, a França é o país onde a raça Portuguesa mais bem cotada tem menos exemplares, apenas 15 cães Serra da Estrela foram registados em 2006. Talvez devido à proximidade, a Espanha ainda conta um número significativo de Podengos Portugueses, a raça nacional com mais registos em 2006 nesse país, contabilizando 79 exemplares.

Cães de raças portuguesas


Potencialmente perigosos - Com a actual polémica sobre que legislação aplicar a determinadas raças, existe um número que salta à vista nestes quadros: a preferência dos portugueses por uma raça listada como potencialmente perigosa, o Rottweiler. Apesar de aparentemente se encontrar numa boa posição para disputar o quarto lugar, a verdade é que os registos do cão Rottweiler têm estado em queda livre nos últimos anos. No início do século o Rottweiler tinha registos anuais perto dos 3 mil exemplares e oscilava entre o primeiro e segundo lugar nas preferências dos portugueses. Com a aprovação em 2003 da lista de cães potencialmente perigosos no nosso país, os registos do Rottweiler sofrem significativamente. Em 2006, a raça ainda conseguiu manter o quarto lugar, mas foi já no ano passado arredado para a quinta posição. Mesmo assim, consegue um sólido quinto lugar. Outra raça considerada potencialmente perigosa é o Staffordshire Bull Terrier. Em Portugal, aparentemente a raça não tem muita expressão, tendo apenas 5 registos em 2007. Contudo, a raça é a quinta mais apreciada pelos britânicos. Paradoxalmente, o Reino Unido é conhecido por ter uma das leis mais duras em relação aos cães que considera perigosos. Desde a aprovação do “Dog Act”, em 1991, que a criação, importação e manutenção de cães Pit Bull Terrier e Tosa está proibida no país. O Staffordshire Bull Terrier, talvez por ser uma raça nacional, não está incluído na lista de cães banidos desse país.

Estatísticas Portugal - 2007
1 - Labrador Retriever, 2.952 exemplares
2 - Pastor Alemão, 1.584
3 - Yorkshire Terrier, 1.493
4 - Golden Retreiver, 933
5 - Rottweiler, 875
7 - Serra da Estrela, 497 – Raça Portuguesa com mais exemplares no país

Estados Unidos da América - 2007
1 - Labrador Retriever
2 - Yorkshire Terrier
3 - Pastor Alemão
4 - Golden Retriever
5 - Beagle
65 - Cão de Água Português – Raça Portuguesa com mais exemplares no país

Reino Unido - 2006
1 - Labrador Retriever, 45.700
2 - Cocker Spaniel, 20.459
3 - English Springer Spaniel, 15.133
4 - Pastor Alemão, 12.857
5 - Staffordshire Bull Terrier, 12.729

França - 2006
1 - Setter Inglês, 2.214
2 - Cavalier King Charles, 1.775
3 - Epagnéul Bretão, 1.729
4 - Golden Retreiver, 1.710
5 - American Staffordshire Bull Terrier, 1.455
Serra da Estrela, 15 – Raça Portuguesa com mais exemplares no país

Alemanha - 2006
1 - Pastor Alemão, 16.908
2 - Baixote, 7.158
3 - Deutsch Drahthaar, 3.285
4 - Labrador Retriever, 2.442
5 - Golden Retriever, 1.837
157 - Cão de Água Português, 38 – Raça Portuguesa com mais exemplares no país

Espanha - 2006
1 - Yorkshire Terrier, 13.736
2 - Pastor Alemão, 10.620
3 - Golden Retriever, 4.218
4 - Cocker Spaniel Inglês, 2.190
5 - Schnauzer Miniatura, 3.374
Podengo Português, 79 – Raça Portuguesa com mais exemplares no país

Os dados apresentados foram disponibilizados pelos clubes de canicultura que regem a criação de cães nos próprios países, sendo que os dados mais actualizados referem-se, na maioria, a 2006, exceptuando nos EUA e Portugal que se referem a 2007.

O cão da Cidade e o cão do Campo

O “cão de companhiaé um produto urbano, mais especialmente das grandes cidades. Na província, este conceito não faz qualquer sentido. Na província, o cão é um ser útil como a vaca ou o burro. Também é um “animal de estimação”, conceito este, contudo, diferente do de “animal de companhia”. O cão é útil ou para ir à caça ou para guardar a casa. E termina aqui a justificação de o adoptar, a não ser em casos muito especiais e raros em que determinados cães desempenham tarefas específicas, como guarda de rebanhos, condução de cegos, etc. Na província, a relação dono/cão é muito mais distante do que na cidade. O cão normalmente não tem autorização para entrar dentro de casa. Fica no jardim ou no quintal, normalmente solto ou, em casos mais raros, preso com uma corrente. De noite dorme numa casota.


O cão não é um membro da família, como na cidade. Ocupa a sua posição na “matilha humana” como último elemento da hieraquia familiar, mas ao dono repugna-lhe reconhecer sequer esse estatuto. “Cão é cão”, expressão típica desta cultura da província. Contudo, em muitas circunstâncias, o cão da província é mais feliz. É mais cão. Nos casos em que anda solto pela quinta ou mesmo em espaços exteriores mais reduzidos, tendo sempre por perto o dono ou outros elementos da família, ele realiza-se mais como cão que na realidade é.

Nas cidades as pessoas vivem alienadas. Andam numa lufa-lufa diária, sistematicamente em filas paradas de trânsito ou a berrar umas com as outras por causa das ultrapassagens. Às vezes almoçam de pé e à pressa e como se tal não bastasse, ao fim do dia vão enfiar-se nuns caixotes empilhados uns nos outros a que chamam apartamentos. E até julgam que são felizes! Vivem só. Cumprimentam os vizinhos quando por acaso os encontram no elevador, fecham-se em casa e vêem televisão com o cão ao lado. É que de facto, no meio de tudo isto, está o cão. O cão também é uma vítima deste modo verdadeiramente esquisito de viver. Como o espaço é exíguo, compartilha os mesmos espaços e cria-se uma enorme cumplicidade entre o bicho e as pessoas. Cumplicidade, intimidade e promiscuidade.

 O animal de estimação ganha facilmente um estatuto especial de membro da família e se não for devidamente educado até se torna o líder.

A Pulga

Há quem diga que: “Um cão sem pulgas não é cão nem é nada”.

Este dito popular deriva da enorme popularidade que a pulga tem, mas também evidencia uma enorme desvalorização da sua existência. Não se lhes dá importância. No entanto, esse pitoresco animalzinho não é tão inofensivo como vulgarmente se pensa e, por isso, valerá a pena entender um pouco melhor quais os danos que pode causar, como se desenvolve e como se combate.



A maioria das pessoas que possuem animais de estimação não têm a mínima noção de como exterminar as pulgas. Normalmente, encharcam o cão com produtos antiparasitários e nunca chegam a resolver o problema. Encaram essa batalha como perdida e partem do princípio de que o facto de o cão continuar com pulgas é uma fatalidade sem solução.


Mas de facto não é uma fatalidade! O que se passa é muito simplesmente isto: quando o cão aparece com pulgas isso é um sinal evidente de que a nossa casa está completamente infestada delas. O número de pulgas que o cão tem corresponde a cerca de 10% da população de pulgas existente no ambiente familiar nas suas diversas formas evolutivas, sem que se dê conta disso. Um dos motivos por que as pessoas não sentem em si próprias essa infestação deve-se à circunstância da pulga que parasita o cão ser de uma espécie diferente da que prefere o humano como hospedeiro. A pulga do cão ou do gato normalmente só se alimenta do sangue das pessoas na ausência prolongada daqueles animais.


Tipos de pulgas
Existe um elevado número de espécies de pulgas, cerca de 2000 em todo o mundo. As que nos interessam particularmente aqui para a nossa análise são três:

- Pulex irritans, a pulga doméstica que parasita preferencialmente o homem.
- Xenopsylla cheopis, a pulga que parasita o rato dos esgotos (ratazana) e é capaz de transmitir ao homem a terrível doença conhecida por Peste Bubônica.
- Ctenocephalides canis e Ctenocephalides felix, classificadas assim por parasitarem preferencialmente, respectivamente, cães e gatos.


Três aspectos importantes a considerar em relação a estas espécies:
1. São insectos hematófagos, isto é, nutrem-se do sangue do hospedeiro que parasitam.
2. Embora cada uma delas procure o seu hospedeiro preferido, à falta deste, pode parasitar qualquer um dos outros.
3. O observador pouco informado não distingue estas três espécies e as pessoas, de uma forma geral, desconhecem mesmo que existe esta variedade de pulgas.


Infestação
A pulga doméstica (Pulex irritans) encontra-se apenas em meios muito degradados onde não existem condições mínimas de higiene básica.
A pulga que parasita os cães e gatos é a mais vulgar, dada a convivência muito íntima do homem com estes animais de estimação.
O cão infesta-se de pulgas facilmente pela simples circunstância de o levarmos à rua para passear ou para ele fazer as suas necessidades. Como as pulgas são capazes de pular até 30 cm, não havendo portanto necessidade de contacto íntimo, o cão ou o gato podem adquiri-las passeando na rua ou no jardim onde habitualmente andem outros animais.
Assim, independentemente da classe social e das condições de higiene, as pulgas que parasitam cães e gatos entram muito facilmente em nossas casas, trazidas pelos nossos amigos.


Ciclo
A pulga passa por quatro estágios no seu ciclo de vida, que pode durar de doze a 170 dias, dependendo da temperatura ambiente e da humidade.
A fêmea da pulga deposita os ovos no cão e, como muitos destes ovos não se fixam bem no pêlo, quando ele se coça ou se sacode, caem no chão.
Se os ovos encontrarem no pavimento condições propícias de temperatura e de humidade, eclodirão em larvas num período de dois a dez dias. Estas larvas entranham-se nos tapetes, mantas, tecidos, frestas, etc., onde se alimentam de restos orgânicos e de fezes de pulgas adultas, que no essencial é sangue mal digerido e muito energético. No exterior também se alimentam de fezes de animais, nomeadamente de fezes de cães.
Entre cinco e onze dias as larvas formam um casulo onde se desenvolve a forma de pupa, estágio em que o parasita é extremamente resistente aos produtos antiparasitários e a outros agentes de limpeza.
Finalmente transformam-se em pulgas adultas em cerca de cinco dias. Mas esta última fase só se verifica se existirem animais ou pessoas no local. Se tal não acontecer, as pulgas podem permanecer no casulo até um período de vários meses.



Normalmente o ciclo de vida completa-se entre três a quatro semanas e as pulgas vivem no animal por mais de 100 dias.A partir do quarto dia, e alimentando-se do sangue do hospedeiro, cada fêmea produz em média vinte ovos por dia. Se este ciclo não for interrompido, e dada a sua velocidade e facilidade de reprodução, a infestação no animal e na casa é cada vez maior e pode atingir proporções inquietantes, porque uma pulga adulta pode viver vários meses no seu hospedeiro, constantemente a alimentar-se de sangue e a produzir novos ovos.


Malefícios da picada
A picada da pulga normalmente causa uma comichão incomodativa. Mas este é um mal menor. No acto de sugar o sangue, a pulga injecta a sua própria saliva, que tem propriedades anticoagulantes, para melhor sugar o sangue. É esta substância da saliva o agente que provoca a irritação. Animais mais sensíveis e alérgicos à saliva da pulga podem desenvolver eczemas e outras doenças cutâneas como a dermatite pruriginosa.
Se o número de pulgas no animal parasitado for muito elevado, pode verificar-se anemia pela quantidade de sangue sugado, não só porque o parasita se alimenta cerca de vinte vezes por dia, como também pela capacidade do seu estômago, que pode encher-se de aproximadamente 0,5 mm3 de sangue.
Outro inconveniente da picada consiste no desassossego do animal, cujo estado emocional permanece em constante stress devido à coceira incessante.
Numa situação limite, o cão passa a comer menos e torna-se deprimido ou agressivo, dependendo da sua personalidade.
Muitas vezes é isolado pelo dono do convívio familiar por causa das condições de sua pele, que pode apresentar descamação e infecções produtoras de odores desagradáveis.


Transmissão da ténia
A pulga que parasita os animais domésticos constitui um vector de transmissão de certos parasitas intestinais como o Dipylidium caninum, uma ténia semelhante à vulgarmente designada bicha solitária do homem, mas que parasita exclusivamente os cães, gatos e outros carnívoros.
As pulgas na fase larval, quando se nutrem de fezes de cães parasitados, vão ingerir os ovos da ténia existentes nessas fezes, ficando por sua vez parasitadas pelo Dipylidium. Já na fase de pulga adulta e tendo por hospedeiro um cão, este no acto de catar as pulgas com os dentes, frequentemente ingerem-nas. Neste processo o cão viu-se livre de uma pulga mas ganhou uma ténia, já que os ovos deste parasita se irão transformar em vermes no intestino do novo hospedeiro, o cão, e passar a viver aí uma nova existência parasitária, atingindo então o seu completo desenvolvimento.


O efeito desta ténia manifesta-se por:
- Emagrecimento.
- Diarreia.
- Perda de pêlos em determinadas zonas do corpo.
- Comichão na zona anal, que leva o animal a arrastar-se esfregando o ânus no chão.
Por vezes são visíveis pequenos reservatórios de ovos do verme à volta do ânus ou nas fezes, semelhantes a grãos de arroz.
Possibilidade de morte do animal, se não se proceder a um tratamento capaz.

Crianças e adultos podem contaminar-se ingerindo os ovos deste parasita. É muito frequente as crianças, nas suas brincadeiras, tocarem com as mãos no chão e levarem-nas à boca. Os adultos também têm o costume de catar as pulgas do cão e esmagá-las com as unhas dos polegares. Se as mãos não forem lavadas imediatamente, os ovos do dipylidium caninum podem facilmente ser ingeridos.
Este parasita, contudo, quando ingerido pelas pessoas, não se vai fixar no intestino, mas noutras partes do corpo como o sistema nervoso, olhos, etc., formando quistos.


Profilaxia
Como a maior parte do ciclo de vida da pulga ocorre fora do seu hospedeiro, o cão, é necessário cuidar não só da sua higiene como também das instalações e ambiente onde ele vive. Por isso, o combate às pulgas deve ser feito de forma integrada. Não basta eliminar as pulgas que se encontram no animal. Tão ou mais urgente é exterminá-las também no ambiente em todas as suas formas evolutivas.
Os locais que os animais frequentam devem ser cuidadosamente limpos. As carpetes, tapetes, sofás, almofadas devem ser aspirados e os tecidos como mantas e outros onde habitualmente dormem devem ser lavados com água bem quente.
O insecto na forma de pupa é muito resistente, mesmo aos insecticidas. As larvas também são difíceis de atingir porque se enfiam nas fibras das carpetes descendo para a base destas para fugirem da luz e procurarem mais protecção. Também migram para locais escondidos debaixo de móveis e nas frinchas da madeira. A forma mais eficiente de combater o parasita nestas suas formas evolutivas consiste em usar um aspirador forte e proceder à limpeza dessas zonas com alguma frequência. A eliminação de pulgas no ambiente domiciliar pode demorar de 3 a 6 semanas.
Este trabalho mecânico deve ser complementado com produtos próprios para desparasitação do ambiente, em forma de pó ou de spray (Ectokill ambiente, p.ex.) e outros que se aplicam directamente no animal.


Produtos para aplicação directa no animal
Há no mercado uma enorme variedade de produtos ectoparasiticidas, que se apresentam sob diversas formas: champôs, sprays, pós, gotas, comprimidos e coleiras antiparasitárias. Estes produtos distinguem-se não só pela forma de apresentação mas também pelo modo como actuam. Há produtos que agem regulando o crescimento das pulgas, eliminando seus ovos, e os chamados adulticidas, que matam a pulga adulta.

Há também produtos em gotas, que são aplicados na pele do animal. Geralmente aplica-se uma única dose no cachaço, para evitar que ele lamba o produto e se intoxique. Estes produtos são absorvidos pelo organismo e entram na corrente circulatória aí permanecendo. Quando a pulga suga o sangue do animal, ingerirá essa substância e assim o seu ciclo evolutivo não terá continuidade.

Outros produtos agem sobre o sistema nervoso do insecto e a maioria das pulgas morrem no espaço de vinte e quatro horas, antes que tenham a chance de deixar ovos (Advantage, p.ex.).
Outros ainda, apresentados em forma de spray, actuam através da gordura da pele do animal (Ectokill e Frontline, p.ex.). As pulgas morrem no espaço de vinte e quatro horas e o produto mantém-se activo por um período de três meses. O produto mantém-se activo mesmo dando banho ao animal. Mas nunca deve ser aplicado no mesmo dia do banho, mas sim vinte e quatro horas antes ou depois, para se garantir que o nível de gordura da pele seja satisfatório.

Há ainda inibidores de crescimento (Program, p.ex.), que actuam de forma a impedir que a larva da pulga saia do ovo. O produto é apresentado sob a forma de comprimidos e administrado ao animal uma vez por mês. A substância será libertada lentamente nos tecidos, mantendo-se activa durante algumas semanas após a sua administração. A pulga fêmea ingere o produto enquanto se alimenta do sangue do animal e então a droga incorpora-se nos ovos, neutralizando-os. Estes produtos não matam a pulga adulta, mas evitam que ela procrie.

As coleiras antiparasitárias também são muito eficientes e têm a vantagem de proteger o animal das pulgas, carraças e mosquitos durante cerca de quatro meses (Scalibor, p.ex.).
Existem muitas outras formulações inseticidas para os animais domésticos.

Os champôs agem removendo mecanicamente as pulgas mas como são enxaguados têm uma acção residual muito diminuta. São úteis, no entanto, para eliminar as que existem no corpo do animal aquando do banho. Contudo, o champô nem sempre extermina todas as pulgas. Há produtos em forma de spray (alguns contêm álcool), que matam as pulgas adultas rapidamente, podendo complementar assim a acção do champô e aplicando-se logo a seguir ao banho quando o pêlo do cão já estiver seco. Estes produtos não têm um efeito residual.


Muito importante:
Em muitos casos pode recorrer-se à combinação de mais do que um produto, mas a sua escolha deve ser sempre aconselhada pelo veterinário.
Não opte por determinados produtos por simples conselho de um vizinho ou de amigo.
Com o tempo e sucessivas utilizações, as pulgas criam resistências a alguns produtos. Assim, um determinado insecticida pode ser eficiente num local e ineficaz noutro.


É muito importante ter em atenção que todos os produtos usados nas desparasitações dos animais são capazes de causar intoxicações, caso não sejam utilizados de acordo com as recomendações do fabricante.
Recomenda-se a leitura atenta da literatura que acompanha o produto.

A Carraça

A carraça é um ectoparasita que usa uma vasta gama de hospedeiros para se alimentar através do seu sangue. Das cerca de 800 espécies que há em todo o mundo, em Portugal existe uma dezena e, dentro deste grupo, há especialmente duas espécies que parasitam os nossos cães. Vamos muito sumariamente classificá-las com base em aspectos morfológicos básicos, assim:

- Carraças "duras", em que a cutícula que as reveste é dura. Esta espécie assemelha-se a um “vulgar” insecto, tipo escaravelho.

- Carraças "moles", em que a cutícula é mole. Esta espécie fixa-se de preferência nas orelhas dos animais e incha quando fica repleto de sangue, assemelhando-se a um feijão.
O ciclo de vida da carraça divide-se em 4 fases de desenvolvimento: o ovo, a larva, a ninfa e o adulto. Um único hospedeiro pode ser parasitado por todos estes ciclos de vida da carraça.

Uma carraça adulta pode criar milhares de ovos, que se libertarão do hospedeiro caindo no solo e aqui se desenvolvendo, se encontrarem condições propícias, que são preferencialmente zonas de vegetação de baixa ou média altura e com algum grau de humidade.
As carraças atingem o corpo do cão por contacto directo. Como não voam, nem saltam, normalmente instalam-se nas ervas e nos arbustos e esperam que o seu futuro hospedeiro passe e roce essa vegetação, dispondo para o efeito de uma sensibilidade especial que lhe permite detectar a aproximação e passagem da vítima.
A carraça não deve combater-se apenas no corpo do animal, mas também no ambiente (jardins ou quintais). Em todos os seus estágios de vida (desde larva até adulto), a carraça é muito resistente. Por isso, é muito difícil combatê-la.

Eliminá-la do cão é relativamente fácil, seja catando-a com uma pinça ou através de antiparasitários específicos. Mas as formas invisíveis do seu ciclo de vida, os ovos e as larvas, permanecerão no ambiente e nele sobreviverão durante muitos meses se não forem tomadas medidas adequadas.

Em muitos casos, as carraças andam no solo e agarram-se às patas, pelo que não se deve deixar de vigiar essas zonas, inclusive entre os dedos.
No nosso ambiente doméstico, seja dentro de casa ou no jardim, todos os locais deverão ser desinfectados com insecticidas apropriados, mas tendo sempre especial atenção que esses produtos não venham a intoxicar o animal.
Doenças Transmissíveis: Só as carraças portadoras de agentes infecciosos transmitem doenças ao cão: a erlichiose e a babesiose.
As carraças portadoras desses micróbios (protozoários - seres unicelulares microscópicos), transmiti-los-ão aquando da picada destas no animal. Estes protozoários vão "colonizar" os glóbulos vermelhos e/ou as células mononucleares do hospedeiro provocando, após um período de incubação de 1-3 semanas, sinais de doença.

Assim, as carraças devem ser removidas o mais rapidamente possível de forma a limitar o tempo de transmissão dos agentes causadores de doenças, pois não há forma de determinar se elas são ou não portadoras desses agentes infecciosos.
Ter também em atenção que basta uma ou duas carraças portadoras dessas formas infectantes para que o cão contraia uma dessas doenças.

A vigilância deve ser constante e qualquer sinal de apatia, febre, falta de apetite e mucosas (gengivas ou conjuntiva) pálidas em cães que costumam ter carraças, é motivo de uma visita ao veterinário que, através da análise sanguínea, poderá detectar a Babesiose ou a Erlichiose. Estas doenças são tratáveis mas quando diagnosticadas a tempo!

Alimentação Equilibrada

A boa saúde de um cão está directamente relacionada com uma boa alimentação. Porém, nem sempre este aspecto é tomado em consideração, seja por ignorância ou por desleixo do dono.

Alimentar bem um cão é fornecer-lhe os nutrientes necessários e de forma equilibrada, os quais se encontram numa boa ração sem ser necessário recorrer a outras fontes ou complementos.



No ser humano, a alimentação será tanto mais rica e completa quanto mais variada ela for. No regime alimentar do cão, a situação é completamente diferente, porque o seu organismo não aceita facilmente essas variações.
Assim, adoptado um tipo de ração, esta deve manter-se sempre. Se por qualquer motivo houver necessidade de mudar de ração, não se deve passar de uma para a outra bruscamente, mas ir misturando gradualmente uma na outra. Com este cuidado evita-se que o cão venha a sofrer de distúrbios digestivos.

A ração é um alimento completo, constituindo assim a solução ideal por possuir todos os ingredientes necessários sem ser preciso adicionar-lhe outros produtos. Só em casos especiais, e apenas por prescrição do médico veterinário, a ração deverá conter aditivos (cálcio, vitaminas, etc.).

A ração que aqui está a ser referida é a ração seca, apresentada sob a forma de granulado. Existem rações húmidas, enlatadas, que são mais apetitosas para o cão, mas cuja conservação não é tão fácil.

Se o cão não for habituado de pequeno à ração, logo quando deixa de alimentar-se do leite materno e inicia a sua alimentação com produtos sólidos, dificilmente mais tarde aceitará comer apenas ração. O cão prefere sempre a nossa comida ou outra parecida.

As vantagens da alimentação feita exclusivamente com uma boa ração trazem inúmeras vantagens para o cão mas também para o dono, pois é cómodo, prático e seguro.

Porém, a maioria das pessoas não consegue administrar este regime alimentar com esta rigidez e cede facilmente aos caprichos do cão. Depois é tarde!

Os cães não devem comer a nossa comida, quer sejam restos ou mesmo os alimentos cozinhados para as pessoas. Por vários motivos:

A nossa comida normalmente tem uma quantidade de sal excessivo que é prejudicial à saúde das próprias pessoas e igualmente aos animais;
Os temperos usados na culinária (especiarias) são úteis apenas para os humanos, porque tornam a alimentação mais agradável e, usados moderadamente, estimulam o apetite e a digestão mas são prejudiciais para o cão;
Dar da nossa comida ao cão é obrigá-lo a um regime alimentar variado, que não é aconselhável.

Alimentos absolutamente contra-indicados: chocolate, todos os produtos que contenham açúcar (bolachas, etc.), enchidos, salgados, conservas, batata, pão, leguminosas (feijão, grão, ervilhas, etc.)

Regime alimentar:
O cão adulto, por norma, faz duas refeições por dia, sendo a da noite a mais substancial ou apenas uma ao fim do dia. O regime a estabelecer depende dos hábitos das pessoas e dos hábitos criados no próprio cão.
Um princípio a ter em conta é o de não forçar ou aliciar o cão a comer. Tal como as pessoas, eles também têm dias em que não têm apetite e isso não significa que tenham adoecido. Se passarem um ou mesmo dois dias sem comer, não lhes faz mal nenhum e esse jejum até pode ser benéfico. Se a falta de apetite persistir, claro que é conveniente consultar o veterinário.
Outro cuidado a ter tem a ver com o excesso alimentar, especialmente se o cão tiver uma vida muito sedentária. Muita comida e pouco exercício é meio caminho andado para se tornar obeso, com as consequências prejudiciais daí resultantes.

No Labrador, é necessário ter algum cuidado com a sua alimentação dado que esta raça tem por norma um apetite insaciável. Assim, consoante a idade, o peso e a actividade física do cão, é necessário controlar a dose diária de ração que lhe é administrada.
Um Labrador (não obeso) deve pesar cerca de 30 kgs.



A obesidade acarreta vários problemas de saúde nomeadamente nas articulações, por isso, deve controlar a alimentação do seu Labrador e lembre-se que Gordura não é Formosura!

As doenças mais comuns do cão


A Dilofilariose

A Dilofilariose, também conhecida por verme do coração, é uma doença que ataca cães e gatos, relativamente pouco conhecida e à qual nem sempre se dá a devida importância. Esta doença é provocada por certos mosquitos que ao picarem um cão infectado ficam em condições de transmitirem a doença a um cão são quando sugam o seu sangue para se alimentarem.


A Erlichiose

A Erlichiose é uma doença infecciosa transmitida pela carraça. A Erlichiose é transmissível ao homem (febre da carraça) mas apenas se ele for picado por uma carraça portadora e não pelo simples contacto com o cão infectado.


A Esgana

A Esgana é uma doença viral altamente contagiosa e eventualmente mortal, que ataca os cães de qualquer idade, muito particularmente os animais mais jovens. A esgana transmite-se por contacto directo ou por via aérea (tosse ou espirro) de um cão infectado com o vírus para um cão são e não vacinado.


A Leishmaniose (ver + abaixo)

A Leishmaniose é uma doença infecciosa causada por um microorganismo (protozoário - leishmania), que é transmitida ao cão, a animais silvestres como roedores e também ao homem por um mosquito, o flebótomo.


A Leptospirose

A Leptospirose é uma doença infecciosa febril, aguda, de carácter sistémico, potencialmente grave, causada por uma bactéria, a Leptospira, normalmente transmitida pela urina dos ratos. Em seres humanos, atinge pessoas de todas as idades, mas em 90% dos casos o desenvolvimento da leptospirose é benigno. Nos animais, quando não vacinados, a doença é mortal.


A Parvovirose

A Parvovirose é uma doença contagiosa, causada por um vírus, que ataca os cães domésticos, especialmente os cachorros por serem mais vulneráveis. No homem manifesta-se sob a forma de infecções nas vias respiratórias e nos olhos, mas sem gravidade, ao contrário da incidência nos cães onde normalmente é fatal.


A Sarna

A Sarna é uma doença parasitária externa, muito contagiosa, produzida por um ácaro. Este ácaro escava galerias na epiderme dos animais, produzindo irritação e intenso prurido. A pele fica avermelhada e os animais perdem peso por causa do incómodo. A fêmea põe os ovos sob a pele, enquanto os outros propagam a doença pelo corpo do hospedeiro e de outros cães.

A Tosse do Canil

A Tosse do Canil é uma traqueobronquite infecciosa causada por diversos vírus e bactérias. Embora não afecte consideravelmente o estado geral de saúde do cão, esta infecção provoca uma tosse profunda, seca e incomodativa, que se transmite com muita facilidade especialmente em ambientes fechados, tais como canis, daí a origem do seu nome.

A Raiva

A Raiva é uma doença infecciosa aguda e fatal causada por um vírus, o vírus rábico, que se multiplica nas glândulas da saliva e se transmite a humanos normalmente através da mordedura de um animal infectado. O vírus atinge o sistema nervoso central e é 100% letal.


Indicação do esquema de vacinação:

6 semanas ------» Parvovirose

8 semanas ------» Parvovirose, Esgana, Hepatite vírica e Leptospirose

12 semanas (reforço da vacina anterior) ------» Parvovirose, Esgana, Hepatite vírica e Leptospirose

16 semanas ------» Raiva


Reforço das vacinas anualmente.

Displasia da anca

A Displasia da anca é uma deficiência ao nível da articulação coxo-femoral ou anca. A cabeça do fêmur pode facilmente desencaixar-se, provocando o relaxamento dos ligamentos articulares e inflamação. Isto conduz a uma degeneração progressiva da articulação. Existe uma instabilidade articular que impede o apoio correcto do peso do animal, conduzindo ao incómodo e à dor.
Consoante o grau dessa deficiência assim será mais ou menos grave a situação. Esta doença é difícil de diagnosticar quando o cão é muito jovem, só se tornando óbvia na maior parte dos casos, no culminar do seu crescimento.



A Displasia da Anca pode ser classificada em diversos graus culminando numa debilidade insuportável. Altura e peso excessivos estão entre os factores que podem influenciar o seu desenvolvimento. Daí a importância de uma dieta correcta sugerida pelo Veterinário. Os cães jovens têm dificuldade em levantar-se, correr ou usar escadas. Os cães idosos podem apresentar dores agudas, especialmente após exercício.

Raças de Risco:
Qualquer raça pode padecer deste mal, mas as raças grandes têm maior incidência devido ao esforço suplementar que suportam durante o crescimento.

Factores que predispõem:
- Exercício físico em excesso;
- Excesso de uso de cálcio e alimentação desequilibrada;
- Hereditariedade;




Tratamento da Displasia:
Não existe cura da Displasia. É necessário recorrer a medicação até ao final da vida dos animais. Em casos extremos só pode ser corrigido com a ablação da cabeça do fêmur para evitar o atrito ou prótese total da anca. O animal nunca poderá ter os mesmos níveis de movimento que um saudável, mas a sua condição é muito melhorada. Terá ainda que fazer um acompanhamento até ao final da sua vida. Notem que esta cirurgia é extremamente onerosa.
Os criadores que cruzam somente animais que fazem o despiste de displasia da anca têm verificado a diminuição de incidência da mesma.
No entanto, os não criadores, que por ignorância cruzam animais sem saber os seus antecedentes, estão entre os primeiros a ter problemas.
Os animais que possuem Displasia não devem fazer cruzas de forma a evitar o aparecimento nos seus descendentes. Deve ser sempre exigido ver os pais quando se adquire um animal destas raças, bem como um certificado de Isenção de Displasia dos mesmos que será obrigatoriamente emitido por um Médico Veterinário.
De qualquer forma deve consultar um Veterinário antes de adquirir um animal para se informar melhor sobre os prós e os contras de cada raça.