Cuidados a ter com cadelas grávidas

O cruzamento deve ser acordado entre os donos dos cães para a altura do cio da mesma. Deve-se evitar o cruzamento de animais de raças diferentes com grande disparidade de tamanhos entre o macho e a fêmea, pois geralmente leva a complicações no parto.

Quando se pensa em acasalar uma cadela a alimentação é essencial, já que das boas condições físicas da mãe dependerá o nascimento de uma ninhada forte e saudável. Os cuidados alimentares devem ter início após o cruzamento e manterem-se até 15 dias após o desmame. A fêmea não deve estar gorda quando cruzar e não pode receber gorduras na alimentação. A obesidade em uma cadela grávida pode ter consequências sérias. Por exemplo, no caso de haver necessidade de um parto por cesariana, a gordura é um incómodo a evitar.



A cadela em gestação tem necessidade de muitas proteínas e uma complementação alimentar de cálcio e sais minerais. As proteínas podem ser encontradas nos próprios alimentos como a carne, o leite, verduras ou ração. No entanto, o cálcio deve ser ministrado com orientação do veterinário.

O proprietário deve estar sempre atento para que a cadela tenha água limpa e fresca à vontade. Os farináceos devem ser totalmente evitados, pois propiciam a formação de gases e como consequência aparecem as cólicas intestinais. As cadelas de pequenas dimensões podem sofrer de eclampsia, falta de cálcio devido à amamentação pelo que é conveniente tratar com o seu veterinário de fornecer um suplemento de forma a prevenir esta situação.

Um cuidado para evitar problemas digestivos é oferecer à cadela um maior número de refeições por dia, com quantidades menores de alimento de cada vez. Exercícios moderados até a época do parto são aconselhados.

Deve-se escolher um local onde a cadela possa efectuar o seu "ninho" de forma a ter as crias à sua vontade sem interferências. No caso de cadelas de grande porte, atenção a que inadvertidamente não esmaguem as suas crias. Deve-se tomar cuidado pois as cadelas podem tornar-se agressivas durante este período em defesa dos filhotes.

A saúde dos cachorros deve estar em primeiro lugar. Uma radiografia e ecografia de controlo são aconselhadas para a detecção do número de fetos e para verificar se se encontram vivos. Não deve de forma alguma tratar de todo o processo de cruzamento, gestação e parto sem uma visita ao veterinário. Se durante a gestação tiver surgido algum problema, este pode ser previsto e/ou evitado/minorado com o recurso a profissionais.

A alimentação dos cachorros pode ser complementada caso o leite materno seja insuficiente com o recurso a leites de substituição.

Autor: Hospital Veterinário Principal Dra. Cristina Alves

Lidar com a morte de um animal

Todos os animais morrem e devido à curta esperança média de vida que têm em relação aos humanos é frequente os donos terem de enfrentar a perda de um ou mais animais de estimação. Por se tratar de um animal irracional, o dono muitas vezes questiona-se sobre se tem direito a fazer o luto. Os animais de estimação partilham a nossa vida durante anos. Contamos com eles para apoio, pois não criticam nem julgam; para aliviar o stress, pois estão sempre prontos para a brincadeira; e não há nada melhor do que um afago, depois de um dia que não correu tão bem. É por estas razões que os humanos se apegam aos animais, criando laços profundos de companheirismo. São âncoras com quem podemos sempre contar, até ao dia em que por acidente ou por doença deixam de estar entre nós.

Sofrer ou não sofrer
Um animal não é uma pessoa, mas é normal sofrer com a morte de um ser com quem partilhou a vida durante 5, 10 ou mesmo 20 anos, mesmo que esse ser não seja racional. Os donos têm o direito de sofrer com a morte do seu animal, independentemente da opinião da vizinha, do familiar ou do colega de trabalho. Por vezes os donos de animais de estimação sentem que não têm “permissão” para chorar abertamente a morte do seu animal, seja porque o valor do seu animal é depreciado por outros ou seja porque os outros nunca passaram por essa situação. O mais importante é saber que não precisa da autorização de alguém para poder chorar o seu animal. Procure pessoas que estejam a passar pela mesma situação e desabafe. Em casa, não se iniba de falar e chorar em frente de outros adultos. Ninguém lhe pode dizer ao certo durante quanto tempo se sentirá triste, pois o processo de aceitação depende de cada um. Existem contudo quatro etapas ligadas à perda de um ente querido:

Negação, choque, isolamento
Geralmente ocorre quando o animal ainda está vivo, mas encontra-se já em fase terminal. Os donos têm dificuldade em aceitar a morte do animal e evoluem para um estado de choque quando a morte efectivamente ocorre. Sentem-se fora da realidade e não conseguem perceber que o animal já não está efectivamente entre nós.

Raiva
Assim que se apercebem da realidade, os donos sentem-se zangados e disparam sentimentos de raiva em várias direcções. Pode-se sentir traído pelo próprio animal, que o abandonou, pelos membros do resto da família, que não expressam os sentimentos da mesma forma, pela sociedade, pelo veterinário e até mesmo Deus. Apesar de racionalmente a raiva indiscriminada não ter lógica, emocionalmente os donos não conseguem deixar de se sentirem zangados.

Culpa
A culpa é frequente nos casos em que um ente querido falece. Começamos a supor tudo e mais alguma coisa: “Se tivéssemos consultado mais opiniões profissionais”; “Se lhe tivesse dado mais atenção”, etc. Quando se trata de um animal de estimação, a culpa é recorrente, pois o dono é responsável por ele e é ele quem toma todas as decisões que influenciam de forma determinante a vida do animal. Assim, o dono sente-se também responsável pela sua morte. Também muito comum é o sentimento “Se eu tivesse passado mais tempo com ele” ou pactos secretos como “Se eu fizer isto, o meu animal volta para mim”. Os casos em que a decisão de eutanásia foi colocada, independentemente de ter sido ou não aceite, gera um sentimento de culpa no dono que se questiona se terá agido da melhor forma, quer por ter terminado o sofrimento do animal, quer por ter insistido no tratamento.

Depressão
É natural ficar triste quando morre um ente querido, mas a depressão é um estado psicológico que deve ser acompanhado por um médico. Muitas vezes esta fase caracteriza-se apenas por momentos de tristeza, que não chegam a tornar-se depressões. Esta fase pode terminar quando sentimos que há outros que partilham a nossa dor.

Recuperação
A recuperação é pautada pela aceitação da morte como algo que aconteceu e sobre o qual não temos poder de alterar. Implica encarar a vida tal como ela é e seguir vivendo. Não é uma altura de sorrisos ou momentos felizes, é antes marcada pelo regresso da calma e paz. Estas fases podem não se suceder e o dono pode saltitar entre estes estados de alma. Pode inclusivamente não experienciar todas as etapas. Momentos pontuais podem atirar o dono em recuperação para uma destas fases novamente, tais como o aniversário do animal de estimação ou outras mortes, por exemplo. O processo de luto difere de indivíduo para indivíduo, daí que a recuperação tenha de partir da própria pessoa e não de forças externas.

Recordações
Seguir em frente não implica esquecer o seu animal. Por vezes, “arrumar as ideias” ajuda a ultrapassar esta fase. Pode fazer um álbum de fotografias para guardar ou enterrar no jardim, numa espécie de funeral simbólico, já que a maioria dos animais são cremados. Com isso pode fazer um memorial ao animal. Muitos donos optam por plantar árvores a quem atribuem o símbolo do animal. Para dar um tom mais positivo num momento triste, pode doar algum dinheiro a instituições de recolha de animais, apadrinhar um animal ou qualquer outra coisa que faça sentido para si. Geralmente fazer algo de positivo para a comunidade faz com que as pessoas se sintam melhor com elas próprias.

Ultrapassar
O tempo é o melhor remédio e cura tudo. Se der tempo ao tempo, a dor sossega e vai progressivamente recordando os bons momentos e não a morte. Com tempo, os donos começam a rir quando se lembram das traquinices dos animais, daquela vez em que ele roeu o sapato, que o fez tropeçar na rua, etc.

Novo animal
Os animais são insubstituíveis, mas assim que chegar à fase de recuperação pode pensar em ter um novo animal novamente. Os animais fazem-nos rir e as suas exigências obrigam-nos a não desistir. Mas não se precipite. Toda a família deve querer um novo membro e este não deve ser visto como substituto mas como um animal independente e com um temperamento próprio.

Animais de estimação contribuem para o bem-estar

Os estudos mais recentes têm demonstrado que existem vários benefícios dos animais de companhia no desenvolvimento psicológico, social e na qualidade de vida das pessoas. Verificaram-se níveis de solidão, depressão e ansiedade mais baixos em pessoas que possuíam animais de companhia. Um dos problemas mais comuns nos dias de hoje é o stress. A interacção com animais de companhia pode, de facto, contribuir para a redução dos níveis de stress, proporcionando um suporte emocional a muitas pessoas. Acrescenta-se, ainda, o papel de facilitadores sociais e de integração de crianças, idosos e pessoas portadoras de deficiência.

Estes são apenas alguns resultados encontrados nas centenas de estudos que já foram realizados por psicólogos, psiquiatras e médicos. Contudo, é importante referir que estes benefícios surgem apenas em pessoas que gostam e estabelecem uma ligação emocional próxima com animais.

Crianças
Há cada vez mais certeza de que a existência de um animal de companhia na vida das crianças lhes proporciona um desenvolvimento mais harmonioso, quer psicológica, quer socialmente. As crianças que possuem cães em casa e que interagem com estes apresentam uma maior descentração pessoal e um comportamento mais pró social. Para além da facilitação e integração social, a interacção com animais de companhia contribui positivamente para a auto-estima e sentido de responsabilidade. Os animais de companhia são verdadeiros promotores da qualidade de vida das crianças, uma vez que facilitam a exploração do mundo e ajudam na construção da sua independência. Muitas crianças encaram os seus animais de companhia como parceiros de brincadeiras, aventuras e como os seus fiéis protectores. Esta visão vai mudando com o tempo, passando os animais de companhia a serem os mais íntimos confidentes e fonte de suporte emocional. Independentemente da idade, a maioria das crianças encara os animais como um amigo especial e como membro da família.


Idosos
A solidão e o isolamento social são outros problemas que têm vindo a crescer na nossa sociedade. Basta pensar na quantidade de idosos que vivem sozinhos nas cidades e aldeias do nosso país. Muitos deles possuem pouco ou nenhum suporte social. Um grande número tem um cão ou um gato. Os animais tornam-se fiéis companheiros, dando maior alegria e um sentido a uma existência que nem sempre é colorida. Alguns estudos indicam que a qualidade de vida do idoso aumenta, assim como a sua longevidade. A inserção de animais de companhia em lares tem proporcionado oportunidades para os idosos conversarem, recordarem outros tempos, assim como para a sua estimulação sensorial.

Dr. Hugo Jorge - Psicólogo
O Menino e o Labrador

ABC da criação de cães

Quantas vezes não desejamos cruzar a nossa cadela. Algumas vezes para ter descendência dos nossos amigos de quatro patas, outras para ganhar uns tostões. É uma cena repetida muito frequentemente e que acaba por se traduzir num cenário conhecido. Um dono em pânico e uma cadela em sofrimento. Se por vezes essa atitude é devida à inexperiência, amiúde é consequência de falta de informação e acompanhamento especializado.



Os resultados podem ser muitos mas pode implicar desde a perda da ninhada ou da cadela. O meio melhor de evitar ou se preparar para estas situações é ser um proprietário informado antes de criar cruzar os seus cães.


No veterinário
Antes de decidir cruzar o seu cão, uma visita ao seu veterinário é essencial. Assim pode assegurar-se de que o seu cão está em saúde excelente, com as vacinas em dia e livre de parasitas externos e internos. Discuta uma dieta adequada para a gravidez, pois certos requisitos nutricionais aumentarão. Se tem um cachorro de raça, esteja seguro de discutir qualquer possíveis problemas hereditários , porque cada raça tem uma tendência a desenvolver certas doenças ou condições. O seu veterinário pode informar de que problemas são comuns entre sua raça específica e se seu cão é um bom candidato ao cruzamento. O temperamento é importante. Animais tímidos ou agressivos, ansiosos ou nervosos frequentemente fazem pais pobres e passam estas características aos seus filhotes.
Durante a gravidez deverá ainda efectuar um diagnóstico de gestação.


O parceiro correcto
O companheiro direito para a sua cadela deve ser feito cuidadosamente e com consideração. Escolha um companheiro que complemente o seu animal . Um criador experiente frequentemente pode ser útil em mostrar-lhe as qualidades e defeitos do seu animal. Todas as raças têm um estalão da mesma que deverá conhecer de forma a avaliar o parceiro de cruza.


Ciclo Reprodutivo
O seu veterinário pode explicar em detalhe o ciclo reprodutivo da sua cadela caso não o conheça. Isto é essencial para tratar bem a cadela durante a gravidez. Uma cadela torna-se fértil aproximadamente duas vezes por ano. O cruzamento deverá ser feito nestes ciclos na altura mais propicia em que a cadela aceita o cão. No caso de algumas raças como o Buldogue Inglês poderá ser necessário recorrer a inseminação artificial. O período de gestação, é de 58 a 63 dias a contar do dia do cruzamento.


O trabalho de parto
Durante as primeiras semanas de gravidez provavelmente não notará quaisquer diferenças notáveis em comportamento. Como a aproximação do parto a sua cadela pode tornar-se inquieta e começar a fazer o ninho e a desejar isolamento e tranquilidade. Com a aproximação do parto, segue-se uma queda natural na temperatura do corpo. Com o inicio do parto a cadela activamente contrai os músculos do abdómen e útero para ajudar a empurrar os cachorrinhos para a frente. Às vezes um fluido sai antes do cachorrinho. Estes são as membranas da placenta. Pode ter de ajudar a sua cadela a rasgar as placentas quando os filhotes estão cá fora. Não se admire de ela as comer. Se a sua cadela estiver mais de uma hora sem que saia um cachorro é altura de telefonar ao seu veterinário.


Seja previdente
Todos esperamos um trabalho fácil e entrega com um ninhada linda de animais saudáveis como resultado. Mas se espera o melhor você também deve ser preparado para o pior. Uma cesariana é frequentemente necessária e regularmente antecipada em certas raças, tal como o buldogue inglês, como referido anteriormente. Nem todas as crias sobrevivem; algum estão com defeitos de nascimento. E contrariamente à crença popular, nem todas as cadelas são "mães naturais." Algumas simplesmente rejeitam a ninhada pelo que deverá estar pronto para dormir por turnos durante 6 semanas com recurso a leite de substituição.

Além dos filhotes deve tomar cuidado com a mãe. A alimentação indicada para o aleitamento deve ser mantida rigorosamente e deve verificar se surgem feridas nas mamas derivadas do aleitamento. Informe-se sobre o risco de eclampsia no caso de ter uma cadela de pequenas dimensões.


Economicamente falando
Para o final deixo o que deveria ser considerado no inicio. As considerações económicas. Se está a pensar em ser criador profissional deverá saber exactamente qual o percurso que deseja e estar ciente dos investimentos avultados que terá de fazer em instalações, veterinários, animais e aprendizagem. È um percurso acidentado e muitas vezes ingrato num país sufocado por excesso de oferta de raças da moda criadas unicamente por considerações mercantilistas. O Criador responsável não tira um grande lucro de seus cães pois não se dá a economias para aperfeiçoar a raça.

Caso crie para ter um descendente de seu cão ou cadela, tenha algum dinheiro de parte para eventuais complicações no parto e ter os suplementos necessário para a mãe e seus filhotes e não se esqueça de começar a procurar donos para a ninhada antes mesmo de eles nascerem.


Vasco Valente: Canil Casa de Anaval

As crianças e os cães

As crianças gostam de brincar. Os cães gostam de brincar. Quando se juntam é natural que as brincadeiras entre os dois sejam bastante animadas. No entanto, essas brincadeiras podem por vezes acabar mal. A maioria das crianças não tem a noção de quando devem parar de provocar ou brincar com alguém. Se esse alguém for o seu cão (por mais bonzinho e pachorrento que seja) ele poderá fartar-se e querer parar a brincadeira. Por vezes morder (mesmo sem intenção de magoar) é a única forma que ele conhece de parar a brincadeira.

A importância do treino
Para cães que vão conviver com crianças, é absolutamente essencial o treino de obediência e que se inicie a socialização do animal desde muito cedo. Lembre-se que o cão é um animal guiado pelo seu instinto e que se não for treinado, por vezes esse instinto leva a melhor sobre o animal. O seu cão precisa de ser ensinado a obedecer aos comandos do dono em qualquer circunstância. Da mesma forma que ele poderá ser salvo de um atropelamento se obedecer ao comando "Aqui", pode evitar algum acidente com uma criança se ele estiver treinado para largar ao seu comando. As crianças também têm de aprender. Da mesma forma que ensina aos seus filhos como se devem comportar com outras pessoas, deverá ensinar-lhes a respeitar e a conviver com os animais. Eles devem aprender o tipo de brincadeiras que podem e as que não podem ter com o seu cão, como tocar-lhe e como interpretar a sua linguagem corporal. Também deverão distinguir quando o cão está calmo e quando ele está perturbado. Quando tiverem idade suficiente, as crianças também deverão participar no processo de treino do animal e aprender os comandos adequados. O treino deverá ser aplicado tanto ao seu cão como ao seu filho.

Os genes não são tudo
É importante frisar que até as raças mais calmas e amigáveis podem por uma variedade de razões morder em alguém. Isto aplica-se a qualquer criatura que possua dentes (o homem incluído!). O inverso poderá ser dito das raças ditas perigosas: por pertencerem a este grupo não significa que vão obrigatoriamente morder em alguém. Não funciona assim. É impossível dizer concerteza que raça é que fará isso. As acções dos cães dependem de muitos, muitos factores para alem da sua herança genética. Assim, a melhor forma de evitar acidentes é acompanhar sempre as brincadeiras das crianças com os animais e nunca deixa-los sozinhos quando ainda são muito jovens.

Prontos para a brincadeira
Pesando todos os factores, existem raças que tradicionalmente estão mais predispostas a lidar com crianças. São mais tolerantes a comportamentos bruscos e lidam melhor com situações de stress, sem ficarem defensivos ou morderem. O Golden Retriever é uma dessas raças, graças à facilidade com que é treinado e baixo nível de agressividade. O Labrador Retriever e Collie também são raças "apropriadas" para lidar com crianças. Lembre-se sempre que numa situação em que o cão se sinta ameaçado e assustado, o perigo de morder a pessoa que está mais próximo é real. Acompanhe sempre as brincadeiras entre ambos.

Uma experiência para toda a vida
Para as crianças que cresçam com animais é muito provável que a experiência molde o seu comportamento futuro e o ensine a respeitar e a amar os amigos de quatro patas. Para evitar que o seu filho tenha uma experiência traumatizante (como uma dentada acidental) tenha sempre em conta os pontos abordados neste artigo. Com um pouco de cuidado e bom-senso da parte dos pais, as crianças e os animais apenas precisam de estarem juntas para se divertirem.

Como pensa o Cão

Os mal-entendidos entre homem e cão resultam das diferentes maneiras de pensar de cada um. O homem tem capacidade de abstrair os pensamentos, de pensar em termos de passado, presente e futuro e de analisar e tirar conclusões dos acontecimentos. Mas o cão pensa de uma forma muito mais simples e não distingue o que é bom e o que é mau.

As pessoas sabem que não devem matar, roubar, mentir etc. Sabem que devem ajudar um amigo em dificuldade e cuidar dos doentes. Mas o cão só pensa no imediato, visto não ter capacidade de abstração de pensamentos e, por isso, não tem uma visão moral do que faz. No fundo, ele gosta de fazer as coisas que ele gosta de fazer ou que ajudam a manter a sua posição no grupo. Só se consegue actuar sobre o comportamento canino, se se estimular o comportamento desejado à custa da oferta de recompensas.

Assim, o cão vai gostar de obedecer, porque este acto está ligado a uma sensação agradável. Em contrapartida, deve-se repreender um comportamento errado com um castigo que o cão consiga perceber. Louvar e recompensar o cão quando ele obedece e faz um acto que queremos e repreender o seu mau comportamento ou um acto que não aceitamos, parecem ser atitudes muito lógicas. Mas, de facto, é justamente nestes dois actos que as pessoas cometem os maiores erros na educação canina, confundindo as situações, admitindo que o cão consiga pensar como nós, esquecendo que o animal vê a sequência dos acontecimentos de uma forma mais imediata.

Vamos analisar o exemplo seguinte, para focar bem os erros mais comuns que se cometem: O educador chama o cão, que se encontra no fundo de um campo a cheirar qualquer coisa que lhe agrada. O cão ouve o chamamento, mas não mostra nenhum interesse em vir. Só depois de muita insistência é que o cão se aproxima, com uma expressão ligeiramente submissa. Mas o que acontece? O educador vai recompensar o cão por ter finalmente vindo? Geralmente acontece o contrário, o educador repreende o cão dizendo: Não tens vergonha, tive que chamar-te vezes sem fim até perceberes, mereces um castigo! Trata-se exactamente de uma situação em que agimos de acordo com uma lógica humana, tendo em mente um acto passado e castigando no momento presente, sem considerar que o cão se sente reprendido por ter vindo ... e não pelo tempo que demorou a vir! Neste caso o educador deve louvar expressivamente o cão, mesmo que este tenha levado muito tempo a obedecer. Deste modo, o cão consegue associar correctamente a recompensa ao acto de ter vindo até junto do dono.

Autor: Suzette Preiswerk da Mota Veiga

10 Responsabilidades básicas...

Quando decidir ter um cão como animal de companhia deve ter em atenção que existem algumas responsabilidades que devem ser cumpridas de modo a proporcionar ao animal uma boa condição de vida.

1. Escolha um veterinário que acompanhe o seu cão logo desde os primeiros dias.

2. Tenha em atenção se lhe aplicam todas as vacinas necessárias.

3. Combine com o médico veterinário o plano de vacinação adequado ao cachorro.

4. Crie hábitos de alimentação rígidos quer em quantidade e qualidade, quer em periodicidade diária das refeições.

5. Mantenha o seu cão em segurança, não permitindo que fuja para a rua onde existem perigo para os quais não se saberá defender e proteger.

6. Não deixe o seu cão à solta livremente em locais onde existam crianças a brincar. Uma vez que ambos não sabem medir os perigos da relação, facilmente surgem conflitos perigosos.

7. Mantenha o seu cão num clima de tranquilidade. Muita agitação provoca alto stress ao animal conduzindo a um comportamento desviante.

8. Proporcione ao seu cão um local que seja só dele onde possa dormir descansado longe da habitual e atarefada rotina diária do lar.

9. Mantenha o seu cão limpo e consulte periodicamente o médico veterinário.

10. Dedique alguns minutos diários para observar o seu cão. Tente descobrir se este tem algum comportamento ou aparência fora do normal. Através da observação atenta pode descobrir indícios de alguma doença ou maleita, podendo intervir antecipadamente.

Provavelmente, os cães mais populares do mundo

Retriever do Labrador, Pastor Alemão e raças potencialmente perigosas estão entre os cães mais apreciados. Devido à falta de estatísticas dos clubes de canicultura, ou da sua disponibilização, não é possível afirmar-se com certeza qual a raça mais popular do mundo, mas a partir de dados dos principais países do Ocidentes, podemos tirar algumas conclusões acerca das raças mais cativantes nesta parte do globo.

O Retriever do Labrador é uma das raças mais procuradas actualmente, seguido de perto pelo Pastor Alemão. O Labrador é o preferido em Portugal, Estados Unidos da América e Reino Unido, sendo o Pastor Alemão o eleito na Alemanha e uma das primeiras escolhas nos outros países, exceptuando no Reino Unido. O Yorkshire Terrier parece fazer bastante sucesso na Península Ibérica, mas os números nos outros países não chegam para colocar a raça nos lugares cimeiros. (Ver listas abaixo)

No início da década de 90 do século passado, o Labrador Retriever tomou de assalto o primeiro lugar da tabela Norte-americana. Desde então, tem vindo a conquistar adeptos por todo o mundo, sendo que o anúncio da Scottex foi um dos grandes responsáveis pela popularidade da raça no nosso país. Em Portugal, o Retriever do Labrador é o cão n.º 1 do ranking de 2007, com quase o dobro dos exemplares do segundo posicionado, o Pastor Alemão. O Pastor Alemão é um cão popular desde o início do século XX, tendo tido uma maior projecção internacional com as séries televisivas Rin Tin Tin e consequentes filmes de Hollywood. A sua fama de cão polícia agrada aos donos que procuram um cão versátil e de temperamento constante. Os cães de companhia, os apelidados “cães de colo”, tais como os Bichons, Caniches, entre outros, seriam considerados à partida bastante populares, mas os números revelam que poucos cães deste grupo figuram nos Top 5. O Yorkshire e o Schnauzer Miniatura são de facto os únicos presentes nestas listas. Curiosamente, tanto no Reino Unido, como na Alemanha, predominam raças originárias dos próprios países. No Reino Unido, prevalecem as raças inglesas, sendo o Pastor Alemão, em quarto lugar, a única raça estrangeira a conseguir entrar no Top 5. Na Alemanha, os intrusos são os Retrievers, Labrador e Golden, que ocupam respectivamente o 4º e 5º lugares, deixando mesmo assim os três primeiros lugares para as raças alemãs. Tanto em Portugal, como em Espanha e nos Estados Unidos da América, as raças dos próprios países estão arredadas da competição pelos lugares de topo.



Raças Portuguesas - No nosso país, as raças nacionais ficam fora do Top 5, sendo o Serra da Estrela a raça que mais se destaca no ranking português. Surgindo em sétimo lugar, esta raça nacional perdeu terreno em relação aos dados de 2006, onde se posicionava em sexto. Nos Top 5 analisados, as raças portuguesas não são as mais preferidas. A excepção à regra parece ser a popularidade do Cão de Água Português nos Estado Unidos da América. Apesar de surgir em 65º e não haver dados relativos ao números de exemplares, pode-se deduzir que devido à dimensão do país, esta posição é bastante lisonjeadora para a canicultura portuguesa. Apesar do elevado número de emigrantes, a França é o país onde a raça Portuguesa mais bem cotada tem menos exemplares, apenas 15 cães Serra da Estrela foram registados em 2006. Talvez devido à proximidade, a Espanha ainda conta um número significativo de Podengos Portugueses, a raça nacional com mais registos em 2006 nesse país, contabilizando 79 exemplares.

Cães de raças portuguesas


Potencialmente perigosos - Com a actual polémica sobre que legislação aplicar a determinadas raças, existe um número que salta à vista nestes quadros: a preferência dos portugueses por uma raça listada como potencialmente perigosa, o Rottweiler. Apesar de aparentemente se encontrar numa boa posição para disputar o quarto lugar, a verdade é que os registos do cão Rottweiler têm estado em queda livre nos últimos anos. No início do século o Rottweiler tinha registos anuais perto dos 3 mil exemplares e oscilava entre o primeiro e segundo lugar nas preferências dos portugueses. Com a aprovação em 2003 da lista de cães potencialmente perigosos no nosso país, os registos do Rottweiler sofrem significativamente. Em 2006, a raça ainda conseguiu manter o quarto lugar, mas foi já no ano passado arredado para a quinta posição. Mesmo assim, consegue um sólido quinto lugar. Outra raça considerada potencialmente perigosa é o Staffordshire Bull Terrier. Em Portugal, aparentemente a raça não tem muita expressão, tendo apenas 5 registos em 2007. Contudo, a raça é a quinta mais apreciada pelos britânicos. Paradoxalmente, o Reino Unido é conhecido por ter uma das leis mais duras em relação aos cães que considera perigosos. Desde a aprovação do “Dog Act”, em 1991, que a criação, importação e manutenção de cães Pit Bull Terrier e Tosa está proibida no país. O Staffordshire Bull Terrier, talvez por ser uma raça nacional, não está incluído na lista de cães banidos desse país.

Estatísticas Portugal - 2007
1 - Labrador Retriever, 2.952 exemplares
2 - Pastor Alemão, 1.584
3 - Yorkshire Terrier, 1.493
4 - Golden Retreiver, 933
5 - Rottweiler, 875
7 - Serra da Estrela, 497 – Raça Portuguesa com mais exemplares no país

Estados Unidos da América - 2007
1 - Labrador Retriever
2 - Yorkshire Terrier
3 - Pastor Alemão
4 - Golden Retriever
5 - Beagle
65 - Cão de Água Português – Raça Portuguesa com mais exemplares no país

Reino Unido - 2006
1 - Labrador Retriever, 45.700
2 - Cocker Spaniel, 20.459
3 - English Springer Spaniel, 15.133
4 - Pastor Alemão, 12.857
5 - Staffordshire Bull Terrier, 12.729

França - 2006
1 - Setter Inglês, 2.214
2 - Cavalier King Charles, 1.775
3 - Epagnéul Bretão, 1.729
4 - Golden Retreiver, 1.710
5 - American Staffordshire Bull Terrier, 1.455
Serra da Estrela, 15 – Raça Portuguesa com mais exemplares no país

Alemanha - 2006
1 - Pastor Alemão, 16.908
2 - Baixote, 7.158
3 - Deutsch Drahthaar, 3.285
4 - Labrador Retriever, 2.442
5 - Golden Retriever, 1.837
157 - Cão de Água Português, 38 – Raça Portuguesa com mais exemplares no país

Espanha - 2006
1 - Yorkshire Terrier, 13.736
2 - Pastor Alemão, 10.620
3 - Golden Retriever, 4.218
4 - Cocker Spaniel Inglês, 2.190
5 - Schnauzer Miniatura, 3.374
Podengo Português, 79 – Raça Portuguesa com mais exemplares no país

Os dados apresentados foram disponibilizados pelos clubes de canicultura que regem a criação de cães nos próprios países, sendo que os dados mais actualizados referem-se, na maioria, a 2006, exceptuando nos EUA e Portugal que se referem a 2007.

O cão da Cidade e o cão do Campo

O “cão de companhiaé um produto urbano, mais especialmente das grandes cidades. Na província, este conceito não faz qualquer sentido. Na província, o cão é um ser útil como a vaca ou o burro. Também é um “animal de estimação”, conceito este, contudo, diferente do de “animal de companhia”. O cão é útil ou para ir à caça ou para guardar a casa. E termina aqui a justificação de o adoptar, a não ser em casos muito especiais e raros em que determinados cães desempenham tarefas específicas, como guarda de rebanhos, condução de cegos, etc. Na província, a relação dono/cão é muito mais distante do que na cidade. O cão normalmente não tem autorização para entrar dentro de casa. Fica no jardim ou no quintal, normalmente solto ou, em casos mais raros, preso com uma corrente. De noite dorme numa casota.


O cão não é um membro da família, como na cidade. Ocupa a sua posição na “matilha humana” como último elemento da hieraquia familiar, mas ao dono repugna-lhe reconhecer sequer esse estatuto. “Cão é cão”, expressão típica desta cultura da província. Contudo, em muitas circunstâncias, o cão da província é mais feliz. É mais cão. Nos casos em que anda solto pela quinta ou mesmo em espaços exteriores mais reduzidos, tendo sempre por perto o dono ou outros elementos da família, ele realiza-se mais como cão que na realidade é.

Nas cidades as pessoas vivem alienadas. Andam numa lufa-lufa diária, sistematicamente em filas paradas de trânsito ou a berrar umas com as outras por causa das ultrapassagens. Às vezes almoçam de pé e à pressa e como se tal não bastasse, ao fim do dia vão enfiar-se nuns caixotes empilhados uns nos outros a que chamam apartamentos. E até julgam que são felizes! Vivem só. Cumprimentam os vizinhos quando por acaso os encontram no elevador, fecham-se em casa e vêem televisão com o cão ao lado. É que de facto, no meio de tudo isto, está o cão. O cão também é uma vítima deste modo verdadeiramente esquisito de viver. Como o espaço é exíguo, compartilha os mesmos espaços e cria-se uma enorme cumplicidade entre o bicho e as pessoas. Cumplicidade, intimidade e promiscuidade.

 O animal de estimação ganha facilmente um estatuto especial de membro da família e se não for devidamente educado até se torna o líder.

A Pulga

Há quem diga que: “Um cão sem pulgas não é cão nem é nada”.

Este dito popular deriva da enorme popularidade que a pulga tem, mas também evidencia uma enorme desvalorização da sua existência. Não se lhes dá importância. No entanto, esse pitoresco animalzinho não é tão inofensivo como vulgarmente se pensa e, por isso, valerá a pena entender um pouco melhor quais os danos que pode causar, como se desenvolve e como se combate.



A maioria das pessoas que possuem animais de estimação não têm a mínima noção de como exterminar as pulgas. Normalmente, encharcam o cão com produtos antiparasitários e nunca chegam a resolver o problema. Encaram essa batalha como perdida e partem do princípio de que o facto de o cão continuar com pulgas é uma fatalidade sem solução.


Mas de facto não é uma fatalidade! O que se passa é muito simplesmente isto: quando o cão aparece com pulgas isso é um sinal evidente de que a nossa casa está completamente infestada delas. O número de pulgas que o cão tem corresponde a cerca de 10% da população de pulgas existente no ambiente familiar nas suas diversas formas evolutivas, sem que se dê conta disso. Um dos motivos por que as pessoas não sentem em si próprias essa infestação deve-se à circunstância da pulga que parasita o cão ser de uma espécie diferente da que prefere o humano como hospedeiro. A pulga do cão ou do gato normalmente só se alimenta do sangue das pessoas na ausência prolongada daqueles animais.


Tipos de pulgas
Existe um elevado número de espécies de pulgas, cerca de 2000 em todo o mundo. As que nos interessam particularmente aqui para a nossa análise são três:

- Pulex irritans, a pulga doméstica que parasita preferencialmente o homem.
- Xenopsylla cheopis, a pulga que parasita o rato dos esgotos (ratazana) e é capaz de transmitir ao homem a terrível doença conhecida por Peste Bubônica.
- Ctenocephalides canis e Ctenocephalides felix, classificadas assim por parasitarem preferencialmente, respectivamente, cães e gatos.


Três aspectos importantes a considerar em relação a estas espécies:
1. São insectos hematófagos, isto é, nutrem-se do sangue do hospedeiro que parasitam.
2. Embora cada uma delas procure o seu hospedeiro preferido, à falta deste, pode parasitar qualquer um dos outros.
3. O observador pouco informado não distingue estas três espécies e as pessoas, de uma forma geral, desconhecem mesmo que existe esta variedade de pulgas.


Infestação
A pulga doméstica (Pulex irritans) encontra-se apenas em meios muito degradados onde não existem condições mínimas de higiene básica.
A pulga que parasita os cães e gatos é a mais vulgar, dada a convivência muito íntima do homem com estes animais de estimação.
O cão infesta-se de pulgas facilmente pela simples circunstância de o levarmos à rua para passear ou para ele fazer as suas necessidades. Como as pulgas são capazes de pular até 30 cm, não havendo portanto necessidade de contacto íntimo, o cão ou o gato podem adquiri-las passeando na rua ou no jardim onde habitualmente andem outros animais.
Assim, independentemente da classe social e das condições de higiene, as pulgas que parasitam cães e gatos entram muito facilmente em nossas casas, trazidas pelos nossos amigos.


Ciclo
A pulga passa por quatro estágios no seu ciclo de vida, que pode durar de doze a 170 dias, dependendo da temperatura ambiente e da humidade.
A fêmea da pulga deposita os ovos no cão e, como muitos destes ovos não se fixam bem no pêlo, quando ele se coça ou se sacode, caem no chão.
Se os ovos encontrarem no pavimento condições propícias de temperatura e de humidade, eclodirão em larvas num período de dois a dez dias. Estas larvas entranham-se nos tapetes, mantas, tecidos, frestas, etc., onde se alimentam de restos orgânicos e de fezes de pulgas adultas, que no essencial é sangue mal digerido e muito energético. No exterior também se alimentam de fezes de animais, nomeadamente de fezes de cães.
Entre cinco e onze dias as larvas formam um casulo onde se desenvolve a forma de pupa, estágio em que o parasita é extremamente resistente aos produtos antiparasitários e a outros agentes de limpeza.
Finalmente transformam-se em pulgas adultas em cerca de cinco dias. Mas esta última fase só se verifica se existirem animais ou pessoas no local. Se tal não acontecer, as pulgas podem permanecer no casulo até um período de vários meses.



Normalmente o ciclo de vida completa-se entre três a quatro semanas e as pulgas vivem no animal por mais de 100 dias.A partir do quarto dia, e alimentando-se do sangue do hospedeiro, cada fêmea produz em média vinte ovos por dia. Se este ciclo não for interrompido, e dada a sua velocidade e facilidade de reprodução, a infestação no animal e na casa é cada vez maior e pode atingir proporções inquietantes, porque uma pulga adulta pode viver vários meses no seu hospedeiro, constantemente a alimentar-se de sangue e a produzir novos ovos.


Malefícios da picada
A picada da pulga normalmente causa uma comichão incomodativa. Mas este é um mal menor. No acto de sugar o sangue, a pulga injecta a sua própria saliva, que tem propriedades anticoagulantes, para melhor sugar o sangue. É esta substância da saliva o agente que provoca a irritação. Animais mais sensíveis e alérgicos à saliva da pulga podem desenvolver eczemas e outras doenças cutâneas como a dermatite pruriginosa.
Se o número de pulgas no animal parasitado for muito elevado, pode verificar-se anemia pela quantidade de sangue sugado, não só porque o parasita se alimenta cerca de vinte vezes por dia, como também pela capacidade do seu estômago, que pode encher-se de aproximadamente 0,5 mm3 de sangue.
Outro inconveniente da picada consiste no desassossego do animal, cujo estado emocional permanece em constante stress devido à coceira incessante.
Numa situação limite, o cão passa a comer menos e torna-se deprimido ou agressivo, dependendo da sua personalidade.
Muitas vezes é isolado pelo dono do convívio familiar por causa das condições de sua pele, que pode apresentar descamação e infecções produtoras de odores desagradáveis.


Transmissão da ténia
A pulga que parasita os animais domésticos constitui um vector de transmissão de certos parasitas intestinais como o Dipylidium caninum, uma ténia semelhante à vulgarmente designada bicha solitária do homem, mas que parasita exclusivamente os cães, gatos e outros carnívoros.
As pulgas na fase larval, quando se nutrem de fezes de cães parasitados, vão ingerir os ovos da ténia existentes nessas fezes, ficando por sua vez parasitadas pelo Dipylidium. Já na fase de pulga adulta e tendo por hospedeiro um cão, este no acto de catar as pulgas com os dentes, frequentemente ingerem-nas. Neste processo o cão viu-se livre de uma pulga mas ganhou uma ténia, já que os ovos deste parasita se irão transformar em vermes no intestino do novo hospedeiro, o cão, e passar a viver aí uma nova existência parasitária, atingindo então o seu completo desenvolvimento.


O efeito desta ténia manifesta-se por:
- Emagrecimento.
- Diarreia.
- Perda de pêlos em determinadas zonas do corpo.
- Comichão na zona anal, que leva o animal a arrastar-se esfregando o ânus no chão.
Por vezes são visíveis pequenos reservatórios de ovos do verme à volta do ânus ou nas fezes, semelhantes a grãos de arroz.
Possibilidade de morte do animal, se não se proceder a um tratamento capaz.

Crianças e adultos podem contaminar-se ingerindo os ovos deste parasita. É muito frequente as crianças, nas suas brincadeiras, tocarem com as mãos no chão e levarem-nas à boca. Os adultos também têm o costume de catar as pulgas do cão e esmagá-las com as unhas dos polegares. Se as mãos não forem lavadas imediatamente, os ovos do dipylidium caninum podem facilmente ser ingeridos.
Este parasita, contudo, quando ingerido pelas pessoas, não se vai fixar no intestino, mas noutras partes do corpo como o sistema nervoso, olhos, etc., formando quistos.


Profilaxia
Como a maior parte do ciclo de vida da pulga ocorre fora do seu hospedeiro, o cão, é necessário cuidar não só da sua higiene como também das instalações e ambiente onde ele vive. Por isso, o combate às pulgas deve ser feito de forma integrada. Não basta eliminar as pulgas que se encontram no animal. Tão ou mais urgente é exterminá-las também no ambiente em todas as suas formas evolutivas.
Os locais que os animais frequentam devem ser cuidadosamente limpos. As carpetes, tapetes, sofás, almofadas devem ser aspirados e os tecidos como mantas e outros onde habitualmente dormem devem ser lavados com água bem quente.
O insecto na forma de pupa é muito resistente, mesmo aos insecticidas. As larvas também são difíceis de atingir porque se enfiam nas fibras das carpetes descendo para a base destas para fugirem da luz e procurarem mais protecção. Também migram para locais escondidos debaixo de móveis e nas frinchas da madeira. A forma mais eficiente de combater o parasita nestas suas formas evolutivas consiste em usar um aspirador forte e proceder à limpeza dessas zonas com alguma frequência. A eliminação de pulgas no ambiente domiciliar pode demorar de 3 a 6 semanas.
Este trabalho mecânico deve ser complementado com produtos próprios para desparasitação do ambiente, em forma de pó ou de spray (Ectokill ambiente, p.ex.) e outros que se aplicam directamente no animal.


Produtos para aplicação directa no animal
Há no mercado uma enorme variedade de produtos ectoparasiticidas, que se apresentam sob diversas formas: champôs, sprays, pós, gotas, comprimidos e coleiras antiparasitárias. Estes produtos distinguem-se não só pela forma de apresentação mas também pelo modo como actuam. Há produtos que agem regulando o crescimento das pulgas, eliminando seus ovos, e os chamados adulticidas, que matam a pulga adulta.

Há também produtos em gotas, que são aplicados na pele do animal. Geralmente aplica-se uma única dose no cachaço, para evitar que ele lamba o produto e se intoxique. Estes produtos são absorvidos pelo organismo e entram na corrente circulatória aí permanecendo. Quando a pulga suga o sangue do animal, ingerirá essa substância e assim o seu ciclo evolutivo não terá continuidade.

Outros produtos agem sobre o sistema nervoso do insecto e a maioria das pulgas morrem no espaço de vinte e quatro horas, antes que tenham a chance de deixar ovos (Advantage, p.ex.).
Outros ainda, apresentados em forma de spray, actuam através da gordura da pele do animal (Ectokill e Frontline, p.ex.). As pulgas morrem no espaço de vinte e quatro horas e o produto mantém-se activo por um período de três meses. O produto mantém-se activo mesmo dando banho ao animal. Mas nunca deve ser aplicado no mesmo dia do banho, mas sim vinte e quatro horas antes ou depois, para se garantir que o nível de gordura da pele seja satisfatório.

Há ainda inibidores de crescimento (Program, p.ex.), que actuam de forma a impedir que a larva da pulga saia do ovo. O produto é apresentado sob a forma de comprimidos e administrado ao animal uma vez por mês. A substância será libertada lentamente nos tecidos, mantendo-se activa durante algumas semanas após a sua administração. A pulga fêmea ingere o produto enquanto se alimenta do sangue do animal e então a droga incorpora-se nos ovos, neutralizando-os. Estes produtos não matam a pulga adulta, mas evitam que ela procrie.

As coleiras antiparasitárias também são muito eficientes e têm a vantagem de proteger o animal das pulgas, carraças e mosquitos durante cerca de quatro meses (Scalibor, p.ex.).
Existem muitas outras formulações inseticidas para os animais domésticos.

Os champôs agem removendo mecanicamente as pulgas mas como são enxaguados têm uma acção residual muito diminuta. São úteis, no entanto, para eliminar as que existem no corpo do animal aquando do banho. Contudo, o champô nem sempre extermina todas as pulgas. Há produtos em forma de spray (alguns contêm álcool), que matam as pulgas adultas rapidamente, podendo complementar assim a acção do champô e aplicando-se logo a seguir ao banho quando o pêlo do cão já estiver seco. Estes produtos não têm um efeito residual.


Muito importante:
Em muitos casos pode recorrer-se à combinação de mais do que um produto, mas a sua escolha deve ser sempre aconselhada pelo veterinário.
Não opte por determinados produtos por simples conselho de um vizinho ou de amigo.
Com o tempo e sucessivas utilizações, as pulgas criam resistências a alguns produtos. Assim, um determinado insecticida pode ser eficiente num local e ineficaz noutro.


É muito importante ter em atenção que todos os produtos usados nas desparasitações dos animais são capazes de causar intoxicações, caso não sejam utilizados de acordo com as recomendações do fabricante.
Recomenda-se a leitura atenta da literatura que acompanha o produto.